São Paulo, 3-4 de janeiro de 2026
Hoje é sábado, dia 03/01/2026. Ou melhor, é madrugada de 3 para 4 de janeiro, e estou aqui começando estas Cartas sobre Jade Maria. Primeiro, conheci a Maria, mas logo que algo entre nós se aproximava ali nas primeiras palavras, ela me revelou seu nome composto e forte! Pense em dois nomes fortes… Quando ela respondeu que seu nome era Maria, eu já gostei muito por entender a força desse nome, mas logo eu supus que fosse um nome composto. Eu sou vidrado por nomes compostos, porque na minha cabeça, as pessoas com dois nomes têm, no mínimo, duas personalidades, e elas são guiadas por um dos nomes. Eu mesmo estava sendo regido pelo meu nome Alexandre, pois para falar com ela, eu venci uma timidez besta que o Anderson não venceria, e fui dar um boa noite para dizer a única coisa que eu sentia de dizer ali naquele momento: era uma atração muito forte que eu sentia para eu voltar para casa com aquele arrependimento de não ter dado um passo.
E que passo! Ela foi simpática e logo no início foi recíproca. E reciprocidade é ouro! A gente percebe a reciprocidade quando a pessoa te faz perguntas, te olha quando fala, sobretudo nos olhos. Foi o que rolou entre nós. Claro que eu estava em puro êxtase, mas tentava dissimular um pouco para não assustar quem eu queria cada vez mais perto. Ela, inteligente e perspicaz como uma psicóloga pode ser, percebeu meu desejo e parece que tentou me deixar mais à vontade. Eram atitudes mínimas, mas muito significativas para quem estava como eu naquela situação. Quando ela precisou ir ao banheiro, fez questão de olhar para mim falando que voltaria, como se dissesse: vamos continuar conversando porque estou gostando. Em algum momento, ela se sentou e eu também, mas ela estava numa cadeira e eu sentei em um degrau na beira do bar, ficando mais baixo do que ela em nossa conversa. Olhar para ela dali daquele ângulo era bem simbólico para mim, porque eu realmente estava vislumbrado como quem olha para algo no céu.
Assim, seguimos conversando e nos conhecendo cada vez mais, e confesso que naquele ponto da noite, perto das 23h, eu já estava tão satisfeito pelas trocas, que eu aceitaria somente trocar contato para um outro momento buscar oportunidades de abraçar aquela maravilhosa mulher que eu acabava de conhecer. Porém, a sua generosidade já se materializava ali, pois ela animou continuar a noite em outro samba da cidade mesmo já cansada devido ao treino feito na manhã daquele sábado. Mais generosa ainda, quando conversando, ela elogiou meu estilo e, naquela hora, eu quase derreti na sua frente! Acho que foi quando eu pude verbalizar que de primeira eu fiquei atraído por ela pelos motivos óbvios: ela é uma deusa em todos os detalhes, “a menina dos meus olhos”, como se diz na Bahia, mas quando começamos a conversar, percebi a sua sensibilidade e capacidade de transformar em palavras aquilo que se está pensando, aí eu me senti interessado de fato. Era como encaixar uma coisa aqui dentro que agora tento registrar em forma de palavra, embora seja quase impossível transcrever totalmente meu sentimento. É uma sensação de estar agradecido pela vida, pelo momento, pelo encontro, pela conversa e pelo beijo…
Sim, rolou de nos beijarmos e a partir daí, tudo se coloriu ainda mais. Era noite, mas eu ouvia passarinhos cantarem como numa manhã ao pé-da-serra e um sol nascia no horizonte aqui de dentro. Foi um beijo calmo, lento, bem trocado e, o mais lindo de tudo, recíproco, que dava vontade continuar ali grudado naquela pele inexplicável de tão gostosa de se tocar. E reciprocidade é ouro! Eu sou um emocionado, admito! Antes eu tinha vergonha de falar isso, mas agora parece que não consigo me relacionar sem revelar esse meu lado. Já no outro samba, quando de fato já estávamos ficando, tudo ainda teve tempo de melhorar. Isso porque além de nossas conversas ficarem ainda mais profundas e nossos gostos foram se esfumaçando juntos, nossos beijos se encaixavam cada vez mais, me levando a não segurar minha emoção e lembro de, em algum momento, verbalizar o quão feliz eu estava e como eu me sentia agradecido à Victória, amiga dela, que a levou para aquele samba onde nos conhecemos.
Essa magia da vida é muito louca, pois morando há 5 anos em SP, foi a primeira vez dela naquele bar, enquanto eu, que moro perto do mesmo bar, vou muito pouco e naquela tarde só fui por insistência de um amigo. Ou seja, o acaso nos levou ao mesmo lugar e também a ele eu agradeço pela graça da vida! E esse acaso foi percebido por nós dois, porque já conversando sobre como estávamos flertando, nos olhando, nos aproximando, entendemos que tudo aquilo era mesmo para acontecer. Foi tão gostoso ouvir dela que estava me olhando, dando sinais, etc. Foi gostoso porque eu percebi nossas trocas de olhares, mas o medo da rejeição deixa a gente meio travado em certas situações. Quando ela disse que me olhou algumas vezes, mesmo também olhando para outras pessoas, eu me senti com sorte! Em outro momento, antes do primeiro beijo, ela brincou perguntando se eu a havia visto sambando, no que eu respondi que havia visto muito e que talvez eu fosse a pessoa que mais a viu sambar naquele bar rsrs. Ela riu e ali eu sentia que a reciprocidade ganhava força. E, não sei se já disse, reciprocidade é ouro!
Enfim, só para terminar esse primeiro registro sobre Jade Maria para que eu sempre me lembre de como foi, fiquei ainda mais feliz quando ela me beijando comentou que o ano começou com tudo e que seria um ótimo ano… Não sei se eu fantasiei isso ou se ela falou nesse sentido de estarmos passando por um grande encontro. Honestamente, eu estava tão feliz que nem sei dizer, só o tempo vai reafirmar esse nosso momento.
“Gracias a la vida que ha dado tanto!”
Violeta Parra
Exala
Já de cara, eu sabia: era ela!
Pedra rara das doces águas
com tons de esperança
Parece ver além
do que a boca conta
Ouvindo me ganha
Falando me encanta
Já de primeira, eu sentia: vai nela!
Mostra teu ser, teu jeito
Abre o que teu peito exala
(São muitas cartas, caso queira saber mais, comente aqui e eu vou postando)
