São Paulo, 08 de janeiro de 2026.

 

Tenho falado com Jade Maria todos os dias. Acho que mais por esforço e desejo meu do que dela. Tudo bem! É normal em relacionamentos hétero que o homem fique mais envolvido no começo, mais curioso e desejoso, e depois de um tempo de relação, isso se inverte e a mulher passa a querer mais e mais e então a relação de estabelece. Eu vi muito isso ao longo de minha vida. Se por um lado, é ruim ficar querendo que a pessoa te escreva, te responda, te queira… por outro, no meu caso particular, é bom. Explico: quando eu estou muito atraído e interessado por alguém, sem saber exatamente o motivo, eu acabo dando uma sacralizada na pessoa, quase como se eu a colocasse em um pedestal, e isso ocorre de forma involuntária. Depois que trocarmos mais intimidade, digamos assim, aí tudo se deslancha e eu viro um semi-tarado pela pessoa. Confesso, estou com medo. Aquele medo de não ser recíproco o suficiente da parte dela para nos permitirmos nos conhecer. Eu sei que não preciso ter medo, porque o medo é fruto da imaginação. Eu tenho um grande mestre, chamado Tião Carvalho, que me ensinou uma vez o seguinte: “quem imagina sente medo e quem tem medo não vai lá…” É difícil lembrar dessa pérola quando eu preciso. Estou lembrando agora porque estou escrevendo, mas na hora da ansiedade pela resposta ou da tristeza causada pela sensação de dúvida sobre ser recíproco, não lembro tanto quanto gostaria. Ela me convidou para um cineminha no domingo, e eu fiquei muito feliz com isso, mas minha vontade é de vê-la todos os dias ou pelo menos o quanto antes. Nós nos conhecemos há 5 dias e sinto uma vontade que parece que nos conhecemos há mais tempo. Preciso manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo, como diz a canção. Afinal, foi assim que nos conhecemos: quando eu silenciei minha mente e meu coração, ela apareceu e o restante já relatei em outras cartas. Amar e ter calma, eis um exercício para  2026. Até aqui, neste momento da carta, eu havia escrito sem falar com ela hoje, mas nós nos falamos agora pela noite e foi muito bom. Ao mesmo tempo, foi caindo uma ficha de que não estamos totalmente no mesmo pé, no mesmo grau de interesse. Visivelmente, eu estou muito mais afim dela do que o contrário. Já vivi essa situação inúmeras vezes e sempre é ruim. Só que agora, parece que  eu sofro menos, porque já não me surpreende os desencontros de tempos das pessoas, se este for o caso entre nós. Minha sorte e honra é ser verdadeiro. Isso me preenche e dá mais alegria do que ficar fingindo costume como se eu não estivesse como, de fato, estou. Preciso manter a calma para viver o que já me é merecido. Mesmo quando a ansiedade de vê-la apertar, nada vai mudar o fato de que as pessoas não controlam seus sentimentos, não temos como controlar isso e ponto final! Eu não tenho dificuldade em aceitar isso. Na real, entre essas muitas vezes em que estive nesse lado de querer mais do que a pessoa, foi a noite, a boemia e o samba que me afagaram até curar a dor dos eventuais afastamentos. Ela já percebeu que sou romântico, chegou a comentar depois de mais uma mini-declaração minha. Acho que às vezes, até piegas eu sou… Talvez, meio brega… Eu não me envergonho, só tenho medo de afastá-la, mesmo sabendo que é justamente buscar ser quem eu realmente sou que vai aproximá-la. Mas independentemente de tudo, sou grato por ainda poder sentir. Por sentir algo gratuitamente por alguém, pois eu vinha de um tempo sem sentir essa chama tão gostosinha. E sentir ainda é um presente!